Entrevista 3 – Sílvio Ferraz

 

6º F.C. – Olá Silvio, antes de mais nada gostaria de agradecer pelo espaço para essa conversa.

A idéia deste ciclo de entrevista que o Festival Contemporâneo está realizando é a de tentar levantar algumas opiniões sobre a realidade musical brasileira, observar como ela se organiza e quem sabe, oferecer sugestões visando ampliar ou diversificar sua realidade. Assim, gostaria de começar esta conversa pedindo à você para tentar pontuar momentos no seu trabalho de compositor que foram fundamentais. Refiro-me aqui tanto descobertas/encontros (musicais ou não) que ampliram sua visão artística, quanto a experiências/espaços de trabalho que permitiram na realização de uma prática uma visão mais ampla do trabalho do compositor?

SÍLVIO FERRAZ – Não são apenas momento, mas lugares, pessoas, músicas. Se tem algo que mereça citar como importante diria que ter encontrado a música do barroco mineiro cantada e tocada pelos moradores da pequena cidade de Prados (Minas Gerais) é o que mais me marcou. Desta experiência veio toda minha admiração pela música do tiradentino Manoel Dias de Oliveira. Nem se sabe mesmo se as músicas eram dele, nem se ele realmente um compositor. Talvez Manoel  Dias não tenha sido um compositor no sentido estrito do termo, mas alguém que adaptava obras do repertório que lhe chegava às mãos, de modo ao coro e orquestra da pequena cidade de São José Del Rey poderem tocá-las nos dias de Semana Santa, em missas e cerimônias diversas.

Em Prados conheci o maestro Adhemar Campos Filho, e com ele acompanhei diversos dos ensaios da banda da cidade, da pequena orquestra, do coral, os dias de procissão. Adhemar tinha um conhecimento amplo de música e, perdido no meio do nada, conhecia de Perotin a Stockhausen, com larga admiração por Pixinguinha.

Mas os encontros não se dão sem que algo esteja  ali latente para que eles se dêem. Foi necessário, antes de conhecer Adhemar, ter ouvido muito a Sagração da Primavera: minha música de cabeceira desde os 14 anos de idade. Ter ouvido muito, sempre de partitura à mão, Bach. E ter ouvido ao vivo, ainda garoto, a Orquestra Armorial com o velho Suassuna declamando poemas e uma pequena trupe da qual faziam parte dois repentistas.

Como narrar encontros é coisa sem fim, diria que ter passado a adolescência pensando em ser músico amador e artísta plástico profissional foi de grande importância para mim, e moldou meu modo de ouvir sempre com os olhos.

 

6º F.C – O conceito de criatividade é evidentemente em diálogo com a idéia de modelos, isto é, a idéia de ser criativo está evidentemente em diálogo com uma sociedade e um tempo/espaço e a uma bagagem cultura “particular”. Na sua trajetória constam participações em eventos na América Latina, tentando fazer um restrospecto destas experiências, o que você observa do diálogo entre os artistas da América Latina? A que ponto estamos abertos e antenados para estas produções e capazes de avalia-las fora das marcas que gravadoras/ensemble/editoras normalmente européias nos submetem? Suponho que existam artistas que te marcaram nesses encontros, quais e por que?

 

SÍLVIO FERRAZ  A música de concerto da América Latina Hispânica tem um importância muito pequena para mim. Ouvi muito pouco desta música. É raro um brasileiro que tenha se dedicado a ouvir e analisar Silvester Revueltas (um compositor maravilhoso por sinal). Para mim me importa muito a música brasileira: dos cantos indígenas, da música caipira paulista, os cantos de pássaros, a música de Villa-Lobos, o barroco mineiro de Manoel Dias e Emerico Lobo de Mesquita, a MPB de Chico Buarque, Caetano e Gil. De fato, e tenho isto claro para mim, em grande parte não somos daqui, somos europeus, africanos, asiáticos, muito pouco de índio. Para a maioria de nós, não faz mais de duzentos anos que nossas familias estão por aqui. Com isto, não consigo comprar barato o discurso de que a europa nos imponha algo, acho que a música tem uma força que escapa a isto. Fazemos música como um pássaro que marca um território. E, como o pássaro, nos valemos de tudo que temos à mão e que nos chame a atenção para fazermos nossa casa, deixarmos  claro nosso território.

 

6º F.C. – Na recente história “registrada” da música brasileira um dos grandes marcos é o movimento nacionalista, o qual até hoje paira como uma sombra sobre certos pensamentos. O valor deste impulso em direção a uma certa independência de “costumes” é incomensurável, e foi evidentemente fundamental inclusive para a própria consciência da necessidade de uma história da arte brasileira, além do reconhecimento de nosso próprio imaginário local que o movimento provocou. Particularmente tenho a sensação de que com o passar dos anos houve uma carência de realizar um certo ato antropogfágico com esta bagagem, e o movimento tornou um pouco como uma âncora  nacionalista com direito a uma nova classificação de psico-patologia – “o trauma de 22″ – abringando tendência que reinvindicam uma modelização da cultura nacional.

Felizmente, do outro lado há um outro diálogo sendo imaginado entre compositores e a bagagem cultura que é nossa, e que começa a ser melhor conhecida (o imaginário Índio, Negro, religiões, mestiçagens, e suas simbologias), permitindo um diálogo mais permeável, que não se restringe citações melodias e harmonias, o qual quem poderá inclusive abrir um novo olhar para o próprio rito da música de concerto. Sendo “filho” deste espaço geográfico que é SP e que foi o palco de lançamento deste pensamento “nacionalista”, como você vê o diálogo destas  bagagens no seu trabalho? Como Sílvio Ferraz diáloga com o imaginário do universo brasileiro? Penso que pergunta deveria começar com ” Isto em alguma momento te interessa?

 

SÍLVIO FERRAZ – O nacionalismo foi uma necessidade da arte brasileira. Não gosto de pensar esteticamente, o que para mim é claro é a necessidade política de se inventar um país, de se mostrar que este país tem riquezas as quais não devem ser equiparadas à de outros países, mas que sim deve ser distinta, de natureza distinta: ou seja, o que se faz aqui não equivale ao que se faz em outros lugares, simplesmente é outra coisa. É o passo de todo  adolescente quando sai da casa dos pais, ele pinta a casa de outro jeito, ele se veste com roupas diferentes, ele assume outros modos de vida. Pra mim é mais ou menos isto.

A arte tem sempre este primeiro passo, aquele que é funcional; o passo do adolescente. Mas existe aquele momento em que um artísta não consegue mais segurar a mão, e o traço escorrega sozinho, é quando ele começa a ouvir o que sua obra lhe pede, e aí esta prática meramente funcional, meramente de demarcar um território e se distinguir, tudo isto do adolescente perde a vez e nasce um trabalho que (independente de valor estético, de valor moral, de valor político) podemos dizer ético: um trabalho que faz aumentar sua potência de vida sem que seja diminuída apotência dos outros, pelo contrário…aumentar sua própria potência aumentado ao mesmo tempo a dos outros (é isto que Nietzsche enxergava na arte).

Por ter nascido aqui no Brasil, filho de uma operária das Tecelagens Matarazzo e de um astrofísico (por sua vez filho de um mecânico de máquinas de escrever e de uma doceira), mesmo tendo eu vivido dos 3 aos 8 anos de idade na França, o meu mundo é esta confusão chamada Brasil. A profundidade da música de Villa-Lobos traduz fácil isto: uma coisa atropelando a outra.

Não há como não ser Brasil estando no Brasil. Mesmo quando se procura um pouco de silêncio em meio a um povo que o tempo todo tem de comemorar algo para esquecer suas tristezas, até mesmo neste silêncio está o barulho das festas. Uma vez ouvi o professor José Antonio Pasta falando sobre a festa, para ele um conceito: Festa. Na Festa vc tem de tudo, tem gente tocando, gente comendo, gente andando de um lado pro outro, pequenos ladrões de ocasião, crianças chorando e crianças brincando, cachorro latindo, barulho de motor de máquina de moer cana, a banda que toca em um canto, um grupo que canta em outro….imagine a perspectiva sonora disto. Creio que no Brasil crescemos aprendendo a ouvir isto. Imagine que você esteja perdido em um trecho de mata atlântica, agora imagine-se perdido em um bosque de ciprestes….dá para entrever a profusão diferenciada em contraste à constância ordenada?  Dá para imaginar o que significa o que é alguém que nasce em um país de ramificações sonoras, visuais, políticas, em contraponto à quem nasce e vive em um país das ordenações, das hiearquias claras, das sistematizações.

Politicamente me afasto do nascionalismo. Acredito que as coisas ficam com marcas do tempo e o nacionalismo tem traços de fascismo, tem um quê forte de ufanismo. Toda estética é um modo de dizer o que se pode e o que não se pode ser feito; o que é permitido e o que não é permitido. Por isto me afasto destes jogos estéticos. E todo fascista é antes de mais nada um narcísico: ele precisa ouvir na música do outro aquilo que ele teria feito em sua música…ele jamais pode se surpreender, ele não aprende nunca, ele não admira nada que lhe fuja ao umbigo.

 

Se você me perguntasse sobre a música (as artes) que tem elementos nacionais, elementos regionais…aí é outra coisa. Aí é Guimarães Rosa e é ao mesmo tempo Le Clézio. Tem coisa maravilhosa, de Nepomuceno a Guarnieri. Mas sem o ranço fascista, e sim com as cores vivas da escuta musical, as cores vivas da descoberta.

 

6º F.C. – Mudando de assunto, gostaria de tentar discutir uma outra questão, o espaço para a realização da atividade do compositor no Brasil. Podemos dizer que o Brasil é um país fundamentalmente latifundiário, temos Orquestras e muito pouco minifúndio – grupos de câmara estáveis. Com isto a possibilidade de encomendas à compositores e uma “tradição de investir na tradição” é ainda bastante frágil, ao ponto de levantarmos caso isolados (o Festival Música Nova, o Bahia Ensemble, a bienal do Rio, etc).

Como você avalia esta realidade? Quais as grandes carências desta situação? Ela está mudando? Existem vantagens? Em São Paulo quais os agentes outros que estão permitindo dar vida à produção recente de música?

 

SÍLVIO FERRAZ – Esta pergunta não pode ser respondida sem falarmos do músico brasileiro, este personagem que toca em mais de uma orquestra, toca em casamentos, faz gravações, e mal tem tempo de estudar o que vai tocar. Claro que temos os casos à parte, aqueles que são magistralmente detalhistas. Mas a grande maioria tem esta vida corrida e esconde por tras disto uma certa preguiça macunaimesca para estudar, para ler com detalhe. No Brasil não há tempo para o detalhe, nem mesmo se recebe um salário digno por isto.

A falta de um trabalho constante em grupos de câmara fortelece a má formação musical de nossos instrumentistas. Ou se faz solo ou se faz tutti. Para mudar é preciso incentivar a prática camerística, a leitura detalhada, o trabalho minucioso de se decifrar uma partitura. Mas, qual o curso brasileiro que ensina decifração (esta disciplina que entrou no conservatório de Paris na década de 50)? A maioria de nossos músico teve de “cair na vida” quando ainda se atrapalhava com notas e dedos, a cada vez frente a um novo aprendiz de maestro, e tudo por uns trocados.

Para a música contemporânea fica claro que os músicos se juntam sazonalmente, às vésperas dos festivais e bienais para ler às pressas uma ou outra partitura, de um ou outro compositor escolhido por uma ou outra razão política. Não temos uma política de curadoria. Não temos reais direções artísticas, ainda existe um grande amadorismo nisso tudo. Aquele amadorismo de principiantes. Somo o país do comércio informal e também das práticas artísticas informais.

 

6º F.C. – São Paulo além de ser a capital econômica no Brasil agrega uma série de eventos que marcam nossa história, dentre eles, dois que são quase que nosso maior registro em música de concerto – O Festival Música Nova e o Festival de Campos do Jordão. Um por ser o palco que vem trazendo uma diversidade de artista-marco da história da Música e outro por uma atividade formadora exemplar possibilitando a formação de nossos novos músicos. Tendo participado na organização destes eventos, quais são os elementos que você destaca como pontos fundamentais para um festival que quer impulsionar a arte no Brasil e quais as problemas que ao se ver a serem evitados?

 

SILVIO FERRAZ – Temos aí talvez alguns paradoxos. São Paulo é capital econômico-comercial, e a música aqui cumpre muito a função de entertainement. Vejo luzes em Belo Horizonte, com um grupo musical como o Oficina Musica Viva, dirigido pelo Oillian Lana e Rubner Abreu. Vejo na mesma Belo Horizonte uma luz nas aulas de Rogério Vasconcelos, Sérgio Freire, Maurício Loureiro, Guida Borgoff, Maurício Freire, Ana Claudia Assis, Oillian Lana. Em São Paulo vejo sempre a tradição, a forte tradição, tanto que a USP – que respirava as vanguardas nos anos 70 e 80 – agora é lugar de uma música naïf que se diz pós-moderna. De fato o que se tem é um grande lugar para o entertainement.

Os festivais são importantes. Importantes na formação de músicos e público. Mas é um processo lento. E muitas vezes minha impressão é de que perdemos o pé. Não se trata mais de preparar o público para a nova música apenas, mas de fazer com que compreendam música barroca, música clássica, pequenas músicas de câmara. Durante anos o público paulistano foi martelado com obras bombásticas neo-romanticas e de romantismo tardio. O público não consegue mais fazer silêncio. Somos 10 querendo educar, mas existe um batalhão de barulhentos que deseducam e dentre eles os maestros: maestro precisa de barulho, de público que apláude, de gente que grite o nome deles…é triste triste, são nossos maiores deseducadores da atualidade: roqueiros frutrados entalados em corpetes e casacas démodés.

O Festival Música Nova é uma pequena ilha. Mas ele tem pouco espaço para a música brasileira. Ele é mais um espaço em que grupos brasileiros (já consagrados neste pequeno terreno da música nova) e internacionais mostram seus repertórios. Sobra pouco espaço de manobra para o compositor. Neste sentido o espaço ainda é a Bienal da Funarte, a escolha das obras é através de curadoria, com juri, leitura de propostas e tal. Mas a falta de antecedência traz à baila o problema de músicos de última hora, com partituras preparadas às pressas. Estamos entre a cruz e a caldeirinha.

 

6º F.C.- Ainda dentro deste assunto, você acredita que há no Brasil um diálogo destes eventos com a nosso própria produção? A curadoria dos mesmo consegue tem uma visão ampla do que está sendo feito? Não existe também a carência de outros agentes – Rádios, críticos, mas sobretudo atividades independentes que possam permitir circular a produção recente?

 

SILVIO FERRAZ– Não há curadoria no sentido estrito. Há um ou outro curador, geralmente um compositor que divide seu tempo de escrever, dar aulas e ainda tentar promover a presença da nova música em rádios, concertos, aulas, palestras.

 

6º F.C. Você tem em paralelo a sua prática de compositor uma intensa atividade pedagógica, sendo talvez um dos professores de composição mas procurados por jovens artistas do Brasil. No decorrer dos anos como você avalia estas produções. Você observa correntes ou modelos? Quais as influências que marcam estes novos artistas? E sobretudo seguindo qual o espaço que eles encontram para a prática de trabalhos?

SILVIO FERRAZ – Nossos jovens compositores são interessantíssimos. Já encontrei de tudo, de gente aberta à gente que procura um professor para promovê-la. O bacana é quando vc encontra um jovem com vontade de descobrir. Aquele jovem que não tem um mundo pronto e que vem em busca de descobrir novos mundos sonoros. E, acredite, a gana é tanta que o que lhes for ofertado lhes será a base de sua prática musical.

De minha parte não tenho muitas restrições em escolas. Tenho alunos jazzistas que querem aprender o rítmo em Messiaen e Stravinsky, alunos que se apaixonam por música espectral, outros que mergulham fundo em jogos numéricos. E trabalho com todos da mesma maneira. Mas por vezes aparece um chato: aquele aluno que chega com algo que julga ser a grande novidade do momento e se sente ofendido pela história quando mostra-se a ele que as coisas não são bem assim…depois disto nunca mais volta para a aula: o que é uma benção.

 

6º F.C. – Finalizando gostaria de entrar em um assunto mais recente. Neste ano estão surgindo em SP uma série de mudanças nas gestões na área de música. Podemos pontuar dois elementos que marcam estas mudanças, o surgimento de um novo grupo de câmara dedicado à música contemporânea, o qual no seu projeto deverá rapidamente se tornar o modelo no Brasil, além de uma mudança na coordenação do principal Festival Brasileiro, o Festival de Campos do Jordão, no qual você assumiu a coordenação—pedagôgica e Paulo Zuben também participa.

Estas mudanças estão sendo muito bem acolhidas por uma parte do meio musical, em especial aqueles que criticavam a gestão do Minczuk por uma carência de olhar para a produção dos artistas brasileiros, limitando-se a nomes da academia brasileira de música. Somam-se estes, um grupo que vêem neste novo ensemble um grande passo para a atividade profissional estável na produção Brasileira, possibilitando uma mudança no país que oferecendo condições de trabalho e dando um norte ainda não comuns na realidade musical brasileira (levando em conta que a prática da intérpretação da música contemporânea brasileira é ainda bastante marginalizada, e não faz parte sequer as grades curriculares de nossos centros formadores!).

Gostaria de saber como vocês estão pensando o diálogo com a diversidade da produção brasileira? Existe uma proposta nestes dois projetos para isto? É de se supor que Ensemble deverá ter um equilíbrio entre repertório e novas obras (como todo intérprete)? E em um país tão vasto qual o nosso, qual a abrangência que ele prentende ter? Sendo coordenado por compositores é de se esperar uma tendência estética no mesmo?

 

SÍLVIO FERRAZ – Vale começar dizendo que o Festival de Campos nasceu da mão de personagens históricos: Camargo Guarnieri e depois Eleazar de Carvalho. Alguns anos depois tivemos o compositor Aylton Escobar como seu diretor. Vindo destes nomes era de se esperar ser um grande evento musical. As úlitimas diretorias herdaram este trabalho de fundação.

Para 2009 pensamos realmente no Festival como um lugar de formação: formar público e formar jovens músicos. Neste sentido tudo foi trabalhado pelo viés de criar leques abrangentes, de ampliar as visões sobre a música: do contemporâneo de Stefano Gervasoni ao barroco de De Lalande; das tradicionais grandes orquestras ao trio de Djembês; dos professores brasileiros mais reconhecidos aos nomes internacionais que figuram dentre os grandes músicos com a dupla habilidade de tocar maravilhosamente bem e conseguir transmitir isto a seus alunos. Esta foi e está sendo a proposta para o Festival. Formar, abrir o leque, deixar com que o ar ganhe força sufiente para oxigenar público e jovens músicos.

Quanto ao Grupo da EMESP e mesmo do Grupo formado em Campos do Jordão, dedicados à música atual. Ainda estamos nos primeiros passos. Um grupo precisa de um tempo de trabalho, precisa criar sua sonoridade, precisa ter um repertório que o identifique, uma maneira de apresentar-se ao público. Atualmente cada compositor tem um grupo de colegas os quais são seu grupo, seu grupo de afinidades, e a cor dos grupos acaba sendo identificada aos compositores que mais trabalham com eles; lembro aqui do Novo Horizonte e a presença constante dos compositores Roberto Victório, Harry Crowl, Maurício Dottori, eu mesmo, o que definia a cor deste grupo; temos também o duo Diálogos que trazia a forte marca de Flo Menezes e de José Augusto Mannis. Nosso desafio é criarmos uma cor, uma identidade através de um leque grande de vertentes musicais, evitando que um traço de compositor restrinja esteticamente o grupo…lembrando que o debate estético é sempre um debate deslocado e que esconde posições bem pouco estéticas.

Pensamos o Grupo da EMESP na mesma linha que pensamos Campos do Jordão: a pedagogia musical. Formar e dar condições de crescer. Talvez tudo isto esteja na propria missão da entidade que nos dá suporte, a Santa Marcelina Cultura. E lembro aqui a força que teve o curso de composição da Faculdade Santa Marcelina, quando por la tabalhavamos Flo Menezes, Marcos Mesquita e eu.

Muito do que penso hoje passa por aqueles anos da Faculdade e pelo apoio que tínhamos das Irmãs para a realização do trabalho. Foi lá que nasceu o primeiro estúdio digital (em escola de musica) voltado à música eletroacústica do estado de São

Paulo.


Uma resposta to “Entrevista 3 – Sílvio Ferraz”

  1. [...] ENTREVISTA 3 - SÍLVIO FERRAZ [...]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: